02 – A Arte do Disc Jockey: As Origens


É fascinante! Aperte o cinto e venha comigo enquanto viajamos de volta no tempo.

Entreter pessoas por meio da música é algo que nós, seres humanos, fazemos há muitos séculos.

Você sabia que Thomas Edison, inventor do século XIX conhecido pela lâmpada elétrica, também criou, em 1877, o primeiro aparelho capaz de gravar música em um suporte físico? Essa invenção permitiu que os artistas daquela época gravassem suas músicas. Imagine o salto tecnológico que isso representou para quem vivia naquele tempo: as pessoas passaram a poder ouvir um artista de quem gostavam dentro de suas próprias casas, sem que ele estivesse fisicamente presente. Hoje, tudo isso nos parece perfeitamente normal, não é mesmo? (Obrigado, Thomas Edison!) Mal sabia ele que sua invenção estava preparando o terreno para o que viria a se tornar a Arte do Disc Jockey.

Algum tempo depois, o rádio foi inventado e se tornou presença comum nos lares. Por volta da década de 1940, surgiu o termo “Disc Jockey”, inicialmente utilizado para se referir às pessoas que trabalhavam no rádio e tocavam discos de diferentes artistas. A essa altura, milhões de discos já haviam sido produzidos, permitindo que as pessoas desfrutassem da música para além das apresentações ao vivo.

Quando se tornou possível carregar, em uma bolsa, várias músicas de diferentes artistas, começaram a surgir encontros nos quais as pessoas dançavam ao som desses discos, simulando a experiência de uma banda ao vivo. Na década de 1950, as festas dançantes ganhavam popularidade, e os espaços passaram a tocar discos de rock ’n’ roll e música pop em vez de apresentar bandas ao vivo, antecipando o que mais tarde se tornaria a cultura dos clubes. Os DJs assumiram um novo papel: controlar a experiência musical do público. Naquela época, porém, ainda não havia uma dimensão propriamente artística nessa atividade.

Os DJs tocavam uma música até o fim e então passavam para o disco seguinte, com um intervalo de silêncio ou algum comentário ao microfone. Eles apenas imitavam as apresentações ao vivo, pois ainda não haviam descoberto a energia criada por um fluxo musical contínuo e sem interrupções. Naquela época, os DJs ficavam escondidos do público.

Nas décadas de 1960 e 1970, podemos dizer que a Arte do Disc Jockey começou a ganhar forma. Técnicas como o crossfade foram desenvolvidas, e os DJs começaram a sincronizar as batidas de discos com andamentos semelhantes, criando transições fluidas entre as músicas. Pela primeira vez, os espaços passaram a ter música contínua, e os DJs descobriram a poderosa energia gerada pela música sem interrupções, aprendendo quando e como trocar de faixa e de que maneira isso afetava o público.

A Technics, uma divisão da Panasonic, começou a produzir toca-discos de alto padrão e, em 1972, lançou o SL-1200, desenvolvido para que as pessoas desfrutassem de seus discos de vinil. O modelo possuía um controle de pitch destinado apenas a corrigir irregularidades na rotação, mas os DJs descobriram uma maneira singular de utilizá-lo: passaram a recorrer a esse controle para sincronizar batidas e criar transições contínuas, mantendo a energia da pista de dança em alta. Por uma coincidência quase milagrosa, o SL-1200 também possuía diversos outros recursos físicos que os DJs podiam adaptar criativamente. Por isso, rapidamente se tornou o toca-discos de referência para DJs. Eles começaram a desenvolver técnicas como scratchingback-spinning e cuttingmarcando também o início da Arte do DJ Turntablist.

Mais tarde, profissionais da Technics visitaram clubes e viram DJs utilizando o SL-1200 como um instrumento musical para tocar música sem interrupções. Em 1979, a empresa lançou o Technics MK2, o primeiro toca-discos desenvolvido especificamente para DJs, com um controle de pitch semelhante ao encontrado nos CDJs modernos. Por volta dessa mesma época, também surgiram as baterias eletrônicas e os sintetizadores, abrindo caminho para que produtores solo criassem remixes de músicas conhecidas e produzissem suas próprias faixas sem precisar de uma banda completa ou de instrumentos musicais tradicionais. Isso também marcou o início do DJ Produtor.

A partir desse exato momento, podemos dizer que todos os elementos da Arte do Disc Jockey estavam verdadeiramente criados e consolidados. Foi ali que nasceu a Arte do Disc Jockey!

Com dois toca-discos e um mixer, os DJs combinavam diferentes músicas e incendiavam as pistas de dança, levando as pessoas a transcender por meio da música. Os DJs Turntablists inventaram inúmeras técnicas, criando transições e sons ao mesmo tempo criativos e complexos, enquanto os DJs Produtores começaram a criar faixas que hoje consideramos clássicas.

A Arte do Disc Jockey levou um século inteiro para evoluir e se consolidar por completo!


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